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Se percebendo de verdade

Foto do escritor: Camilla Fiorito
Camilla Fiorito
há 1 dia
2 min de leitura

Se perceber é um processo complexo, que demora. Desperta uma percepção de si mesmo que ficou esquecida, guardada a sete chaves no fundo de um baú que, em algum momento, perdemos o acesso.


Ao longo da nossa jornada, vamos divagando sem avistar todas as esferas da vida, inclusive a que nos envolve por dentro.


Mas será que nos percebemos sempre ou nos mascaramos boa parte do tempo?


Dia após dia, passamos por tantas coisas que, às vezes, o piloto automático está ligado e os sinais, até mesmo os mais sutis, passam despercebidos.


Olhar para nós mesmos com carinho, compaixão e acolhimento, da forma como merecemos, ainda parece distante de acontecer. É como um dia de tempestade intensa, com raios e trovoadas, que não tem hora para terminar.


Um ciclo que suga energia, desanima, traz medo, insegurança e tantas outras coisas que fazem com que nos guardemos dentro de um pontinho, do qual não conseguimos ou não queremos sair.


O espelho que faz parte das nossas horas mais parece uma parede empoeirada do que um lugar capaz de refletir aquilo que, muitas vezes, nem sabemos se queremos entender.


Ver o nosso reflexo, enquanto nos arrumamos para a correria do dia, não garante que aquilo que precisa ser visto seja encontrado.


Na maioria das vezes, apenas nos vemos, mas não nos enxergamos. E nos enxergar pede calma, disponibilidade de alma, requer tempo. Esse tempo que sabotamos diariamente.


E como enxergar, se não conseguimos parar de mascarar?


Quando passamos a priorizar o nosso tempo, começamos a nos enxergar com verdade. Tantas nuances vão surgindo ao nosso redor e dentro de nós, que aquilo que antes estava encoberto passa a se revelar como um dia claro. 


O contemplar deixa de ficar perdido entre as poeiras que não percebíamos e que não fazíamos questão de tirar. 


Mas limpar os espelhos com flanela pode demorar.

As marcas de dedos podem insistir em ficar e protelar para sair. Então, com delicadeza, desligue o movimento automático. Tente uma outra forma, conduza com cuidado e repare nas belezas que fazem parte da vida. 


Quando desaceleramos e nos enxergamos de forma clara e sincera, conseguimos perceber até os pormenores que estavam escondidos. 


Nesta hora, contemple-se. Seja você! 


Se perceba com amor, valentia e autenticidade. Sem máscaras.



⚠️Texto escrito para minha coluna Conversas de Dentro, no jornal A Voz da Serra.

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