Entre fake news e deepfakes

Informação. Desinformação. Realidade. Distorção. Mentira. Manipulação.
De um lado, as fake news. Informações intencionalmente tomadas por erros, mentiras ou falsidades, criadas para manipular opinião. Do outro, as deepfakes. Manipulações de vídeo, áudio, imagem, trazendo de forma altamente realista a simulação de voz e gestos, gerados por Inteligência Artificial.
Entre fake news e deepfakes, entender o que é falso ou verdadeiro é imprescindível.
Verdades e mentiras que se embolam e se enlaçam de uma forma constante e invadem um espaço que outrora era puro, intocável.
Talvez, antes, mas não mais, as mentiras vinham de uma outra forma e ainda podíamos contar com aquilo que estava diante dos nossos olhos como algo que fazia parte de uma realidade.
Essa certeza foi se esvaindo, pouco a pouco, ano após ano, em uma era onde a ética evidencia uma fragilidade vil.
Viver de forma responsável é uma construção diária. Aquilo que eu faço invisível aos olhos de outrem, pode ou não ser diferente daquilo que escolho mostrar na presença.
Seguir sem burlar e corromper em uma esfera sólida, com valores éticos definidos e sustentados, está em processo de escassez, gerando desconfortos pesados e ultrajantes.
Vozes são reproduzidas, vídeos são criados, informações são compartilhadas por meio de redes sociais, e-mails, whatsapp, sem critério de verificação, com altíssimo grau de realismo que confunde qualquer um.
O senso crítico fica desligado, a justiça social aflorada, as verdades camufladas. Deixamos de questionar se aquilo é real ou não, pois é mais fácil acreditar no que está sendo posto do que se perguntar se é verdade ou não.
É trabalhoso. Sim. No momento atual, viver em sociedade não é fácil, mas há anos atrás também não era. Em cada época da nossa vida, presenciamos a falta de muitas coisas. Ética, respeito e responsabilidade ficam submersos em um oceano, pedindo para serem resgatados, mas o resgate fica de difícil acesso quando a maré está turbulenta.
Observar detalhes, verificar fonte, não compartilhar publicações ou informações recebidas sem checar a veracidade da fonte são passos que não devem ficar esquecidos e precisam ser trazidos para práticas atuais.
No Brasil, existem várias agências de checagem de fatos, que podem ser consultadas de forma virtual.
Faça a sua parte! Questione, pesquise e analise. Averiguar é rápido e o retorno é um uso mais consciente e responsável da internet.
⚠️Texto escrito para minha coluna Conversas de Dentro, no jornal A Voz da Serra.
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